Análise: “O Dia de Chu” – Neil Gaiman & Adam Rex

O livro O Dia de Chu (Chu’s Day) foi publicado originalmente nos EUA pela Harper Collins Children’s em 2013 e, no mesmo ano, no Brasil pela Rocco Pequenos Leitores. A cópia que analiso nesta postagem é a da Rocco, de 2013, do meu próprio acervo adquirida em setembro de 2014 em uma livraria Saraiva em Natal/RN.

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GAIMAN, Neil; REX, Alex. O Dia de Chu. Rocco Pequenos Leitores. Rio de Janeiro, 2013.
Preparação de Originais: Viviane Maurey.
Tradução: Ana Martins Bergin.
Caligrafia da Capa: Alison Carmichael
Adaptação da Capa: Gilvan Brito.
Impressão e acabamento: Lis Gráfica e Editora Ltda., Guarulhos - SP.
ISBN: 978-85-62500-52-7, 34 páginas.

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Famoso pelos quadrinhos e romances, Neil Gaiman se aventura pela literatura infantil juvenil desde os anos 90. Como o próprio autor explica em um dos vídeos de divulgação de O Dia de Chu na época da campanha de divulgação do livro, este era, até a data de sua publicação, o menor dos seus escritos. Com apenas 34 páginas e um texto minimalista, Gaiman nos apresenta a história de um bebê panda com um espirro particularmente especial. Nos anos seguintes o autor publicou duas continuações, tendo Chu e sua família como protagonistas. O texto minimalista ao invés de contrastar com os demais títulos de Gaiman, reconhecido por amplo domínio de narrativa, reforça o seu domínio com a palavra (um exemplo está no próprio título e nome próprio da personagem protagonista que se relaciona com a onomatopeia do espirro). Este domínio é muito mais evidente nas versões originais em inglês de suas obras, no entanto, neste caso, a tradução é muito competente em adaptar da melhor maneira os jogos de palavras.

Um dos maiores desafios das traduções e adaptações das obras de Neil Gaiman está em uma de suas características mais evidentes na literatura infantil e juvenil: a de hifenizar um conjunto de palavras afim de dar-lhes caráter de substantivo composto. Em português o Novo Acordo Ortográfico não reconhece esta hifenização como norma culta em alguns casos, cabendo ao tradutor a imposição do hífen como liberdade poética afim de respeitar o texto original e garantir a proposta lúdica.

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Na página 8, exemplo de hifenização de conjunto de palavras com a proposta de dar-lhes caráter de substantivo composto.
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Texto minimalista e ritmo atraente são as principais características de O Dia de Chu

Adam Rex é o ilustrador que acompanha Gaiman neste livro. Conhecido por seus trabalhos de autor e ilustrador de livros infantis e jovens adultos, bem como por muitas colaborações com autores de RPG, cumpre bem o seu trabalho em O Dia de Chu intercalando ilustrações de página inteira que ambientam o mundo fantástico habitado por animais antropomorfos entre outras páginas em que opta pela predominância do fundo branco, artifício certeiro para garantir o ritmo da leitura e proporcionar o protagonismo do texto em determinados momentos, tudo isso com uma pintura atraente, cores vibrantes e diversas e um desenho característico.

Um dos principais elementos que conferem um bom trabalho de ilustração é a autonomia do ilustrador ao inserir elementos que, a despeito do texto verbal, se colocam como adicionais no processo de leitura do livro. Aqui o ilustrador não apenas cria o visual do mundo de Chu como também insere pequenas e subliminares narrativas, aparentemente perdidas em grandes ilustrações cheias de detalhes. Um exemplo é o pequeno caramujo que, sutilmente, acompanha Chu onde quer que ela vá.

A capa também é de Adam Rex que utiliza o mesmo artifício da predominância de espaço vazio nas ilustrações de dentro do livro mas aqui, ao invés de preencher o vazio com o branco, o faz com um amarelo cádmio que contrasta muito bem com o vermelho vibrante do título. O título é composto por uma fonte personalizada caligrafada criada por Alison Carmichael, com características de tipos clássicos mas com linhas de base incertas que, quando unidas à pequenas falhas e “buracos” no preenchimento, dão a impressão de ser desenhadas à mão. A tipografia é a mesma dos textos no interior do livro. Estes, no entanto, possuem linhas de base, de descendentes e de ascendentes retas e organizadas (com poucas exceções). Os demais textos da capa e da contracapa são compostos pela mesma fonte com linhas de base organizadas e na cor preta. Com exceção do fundo amarelo e do código de barras, todos os demais elementos da capa e da contracapa são cobertos por verniz localizado brilhante. A lombada, por ser estreita, apresenta os títulos de autor, do livro e da editora, achatados. A graça desta capa é a ilustração, que na frente mostra Chu de frente e nas costas mostra Chu de costas.

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Esqueci de tirar a foto da contracapa quando fiz a sessão fotográfica de Chu. Segue uma foto tirada hoje pelo celular. Nunca tirei o selo de troca da Saraiva pois, por alguma razão, eles usam um adesivo que destrói tudo se você tentar remover.

O Dia de Chu da Rocco Jovens Leitores tem dimensões 21,5cm x 24cm todo impresso em cores com capa e contracapa em papel cartonado 180g fosco e miolo em papel couchê 120g fosco.

Muito obrigado pela leitura,

Pedro Balduino

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