Análise: “O Gato Massamê e Aquilo Que Ele Vê” – Ana Maria Machado & Jean-Claude R. Alphen

O livro O Gato Massamê e Aquilo que Ele Vê foi publicado pela primeira vez em 1994 pela Editora Ática como obra integrante de uma coleção de livros infantis intitulada Coleção Barquinho de Papel: uma série de títulos da Ana Maria Machado voltados para os leitores iniciais e intermediários (4-8 anos) e para contações (visto os textos sempre curtos e com ritmo lúdico e o alto uso de metáforas visuais). Esta primeira edição de 1994 era ilustrada por Semiramis Paterno, ilustradora belorizontina de livros infantis (em sua maioria), com traço marcante em cores vivas e simplicidade naife bem equilibrada. Dez anos mais tarde, a editora ática reformulou toda a Coleção Barquinho de Papel e publicou novas edições da maioria de seus títulos, inclusive mantendo uma estrutura de projeto gráfico bem semelhante entre os títulos da coleção, apesar da variedade de ilustradores. A cópia que analiso nesta postagem é uma republicação de 2014, desta nova edição. A republicação ocorreu através do programa FNDE/PNBE, do Ministério da Educação, que até poucos anos atrás era um dos principais programas de aquisição de obras literária para distribuição em bibliotecas de escolas públicas, hoje extinto. Esta edição é ilustrada por Jean-Claude R. Alphen e a adquiri através de um empréstimo na Escola Municipal Marechal Mascarenhas de Moraes quando estive em Duque de Caxias/RJ em janeiro deste ano.

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MACHADO, Ana Maria; ALPHEN, Jean-Claude R. Editora Ática, Rio de Janeiro, 2014.
Gerente Editorial: Claudia Morales
Editora: Lavínia Favero
Diagramação: Claudemir Camargo
Coordenador de Revisão: Ivany Picasso Batista
Projeto Gráfico: Juliana Vidigal
ISBN: 9788508147618, 24 páginas.

Como citado anteriormente, o texto de Ana Maria Machado neste e em todos os outros livros da Coleção Barquinho de Papel são próprios para leitores iniciantes-intermediários e possuem um grande apelo para contação. Isto se dá pelo texto ritmado relativamente curto e extremamente lúdico. Ainda que o texto seja curto e que possua um ritmo brincante é notável como a autora consegue se desvencilhar de determinados moldes, fugindo inclusive da rima e mesmo assim alcançando uma melodia única que deve ser aproveitada no ato de contação, conprovando a grande intimidade de Ana Maria Machado com a língua portuguesa e com a tradição verbal de contar histórias.

As ilustrações desta edição são assinadas por Jean-Claude R. Alphen que, através de uma técnica mista de pintura digital e desenho, consegue atingir uma autonomia muito equilibrada frente ao texto de A.M.M.. Para isso, nos faz sentir a presença de aspectos da ilustração muito fortes como a metáfora visual e os textos intermidiáticos.

Nesta galeria acabamos de ver três exemplos onde os textos se tornam parte da ilustração e assumem a função de objeto, assim como os elementos do cenários, os personagens e demais desenhos. Isto se reforça através da opção do ilustrador em escrevê-los com técnicas plásticas e integrá-las à ilustração, diferenciando-as do texto verbal com tipografia digital (a palavra “tigre” listrada como um tigre e as letras do nome “Massamê” devidamente agrupadas nas listras da cauda do gato), ou seja, textos intermidiáticos.

Na imagem a seguir, um exemplo de metáfora visual que casa perfeitamente com a metáfora proposta pelo texto verbal:

O "monstro" proposto pelo texto e reforçado pela ilustração, mais tarde se apresenta como uma ambulância.
O “monstro” proposto pelo texto e reforçado pela ilustração, mais tarde se apresenta como uma ambulância.

Aqui, a metáfora não é apenas um recurso linguístico mas um elemento da narrativa, uma vez que o enredo trata de um gato chamado Massamê que se apaixona por uma borboleta vermelha que passeia por aí, livre e flutuante e o mete em todo tipo de encrenca enquanto tenta segui-la. Massamê, no entanto é um gato com deficiência visual e, por isso, tudo que acontece na história é mostrado a partir do seu ponto de vista turvo e confuso. Já viu que tem pano pra manga pra muita coisa divertida de se contar e se ler, né? Uma das principais características das obras de Ana Maria Machado é justamente este aconchego na leitura com histórias divertidas e leves, mesmo que, às vezes, muito sérias e cheias de aprendizados importantes. No caso do Gato Massamê a temática da deficiência visual pode ser aplicada como uma boa história para os pequenos que estão começando a apresentar algum tipo de problema na leitura e/ou estão apresentando alguma rejeição aos óculos, fase muito comum da infância de muitas crianças.

A capa possui ilustração de Jean-Claude R. Alphen sobre um fundo laranja vivo, embora o projeto gráfico da reedição da Coleção Barquinho de Papel seja assinado por Juliana Vidigal que agrega uma faixa lateral colorida com três centímetros de espessura aproximada da lombada em todas as publicações desta coleção. Além disso, podemos ver o título de autor em azul escuro logo acima do título do livro que apresenta uma composição de duas tipografias, ambas em vermelho forte e contrastante: uma tipografia desenhada pelo ilustrador onde lê-se a palavra “MASSAMÊ” cheia de sinuosidades e movimento, casada a uma outra tipografia reta, dura e simples, digital e sem serifa, que escreve o restante do título. Logo abaixo um segundo título de autor apresentando o ilustrador. A logotipo da editora fica no canto inferior esquerdo ao lado da faixa lateral na cor branca. Nesta edição vemos também o selo do FNDE/PNBE (Programa Nacional de Bibliotecas Escolares do Ministério da Educação) do ano de 2014 marcando o que seria o último ano de distribuição e renovação de obras para bibliotecas de escolas públicas do programa. A contra-capa possui elementos centralizados iniciando, de cima para baixo, com uma vinheta do ilustrador seguida do selo da Coleção Barquinho de Papel, um trecho inicial da história em formato de versos e o código de barras por fim.

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Selo do FNDE/PNBE, programa que tornava o Governo Federal, através do MEC, o maior aquisitor único de livros impressos do país, e que hoje, infelizmente, não existe mais.
Selo do FNDE/PNBE, programa que tornava o Governo Federal, através do MEC, o maior aquisitor único de livros impressos do país, e que hoje, infelizmente, não existe mais.

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O Gato Massamê e Aquilo que Ele Vê da Editora Ática através da coleção Barquinho de Papel tem dimensões 19cm x 22cm, todo impresso em cores com capa e contracapa em papel cartonado 180g fosco e miolo em papel couchê 120g cintilante.

Muito obrigado pela leitura,

Pedro Balduino

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