Análise: “Cores” – Carol Rossetti

O livro Cores: A revolução começa no quarto de brinquedos de Carol Rossetti foi publicado em novembro de 2016 de forma independente e graças a uma campanha de financiamento coletivo na plataforma do Catarse que contou com o apoio de 555 apoiadores. Apesar de ter sido publicado no final de 2016, as estorinhas do livro já existiam desde 2015, nas redes sociais da autora e foram crescendo e ganhando força junto com a receptividade do público aos carismáticos personagens. O livro é uma série de pequenas estórias em formato de tirinhas que contam os casos de um grupo de crianças muito sintonizadas com conceitos de respeito e diversidade. A edição que analiso é do meu acervo pessoal e adquiri apoiando o projeto de financiamento coletivo (o que me garantiu a honra de uma dedicatória personalizada e um monte de outras recompensas).

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Rossetti, Carol; Belo Horizonte, 2016.
Revisão: Gabriel Nascimento
Projeto gráfico e distribuição: Café com Chocolate Design
ISBN: 9788592175009, 120 páginas.

Uma das primeiras coisas que notei no livro da Carol Rossetti foram as semelhanças com alguns dos principais almanaques que eu consumia na infância, principalmente os da Turma da Mônica, em formato de quadrinhos e protagonizados por crianças espertas que passavam os dias confabulando as mais diversas aventuras numa ausência onírica da tutela dos adultos. A diferença aqui é pautada numa questão de gerações. Diferente da guerra dos sexos ingênua proposta pelas revistinhas noventistas do Maurício de Souza e por outras histórias clássicas dos quadrinhos infantis (quem não se lembra do clássico e alegórico Clube do Bolinha das revistas da Luluzinha?), em Cores nos deparamos com crianças completamente desapegadas das complexidades e categorizações bobas das gerações passadas. São crianças questionadoras e muito mais antenadas com a liberdade e o respeito pelas diferenças.

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Os dilemas principais são pautados em desconstruções: quem inventou que existe cor de menina e cor de menino? Por que o Leco não pode brincar de bonecas e a Su praticar esgrima? O quão normal é, para uma criança, ser questionadora? Com histórias simples, Cores consegue abordar temas importantes sem pieguice, o que é uma marca do trabalho da autora. Questionar é tão importante para os tempos atuais quanto jamais foi e a literatura acerta quando pauta questionamentos importantes com naturalidade. Em uma vida de consumo de livros infantis e estudos na área, o que sempre me encantou nos temas das histórias para crianças é o arquétipo frequente da criança independente, que é muito melhor quando surge em um contexto onde os personagens adultos se tornam inúteis ou desnecessários. Em Cores, Carol Rossetti nos traz histórias incrivelmente divertidas, com um senso de importância para o mundo infantil que só um bom livro pode conceber.

O projeto gráfico do livro é um primor como todos os trabalhos da Café com Chocolate Design e esta edição conta com três pontos brilhantes que eu gostaria de ressaltar:

1. as muito boas referências à cultura pop.

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2. As páginas de transição do livro são uma textura em aquarela que muda de cor em cada seção o que, junto à alta qualidade da impressão, deixa o livro muito bonito.

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3. Uma seção de material extra com parte das artes conceituais e anotações da autora durante o desenvolvimento de personagens e das histórias.

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A capa é um mosaico divertido e colorido, com ilustrações em aquarela apresentando os principais personagens do livro ao redor de um hexágono branco onde lê-se o título em caligrafia personalizada à mão, também em aquarela (um belo degradê de magenta para azul) e sobre verniz localizado. O subtítulo segue abaixo em tipografia simples, moderna, sem serifa e o título de autoria mais abaixo, separado por uma linha tracejada fina e em tipografia cursiva e manuscrita (uma assinatura da autora). A contracapa é uma ilustração da personagem Lila pintando todo o fundo branco da imagem com uma aguada de aquarela em arco-íris. Uma citação da artista Rebeca Prado, sobre o livro, ocupa parte da área branca, na mesma tipografia do subtítulo. A lombada é ilustrada por três vinhetas que separam o título do livro (aqui em tipografia azul romana, espessura larga e sem serifa) do título de autoria (a assinatura da autora), ambos em fundo branco.

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Cores: A revolução começa no quarto de brinquedos de Carol Rossetti tem dimensões 22cm x 22cm, todo impresso em cores e encadernado em brochura, com capa e contracapa em papel cartonado 120g fosco e miolo em papel offset 90g.

Muito obrigado pela leitura,

Pedro Balduino

2 comentários

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